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Como uma floresta com mais mamíferos armazena mais carbono

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Entre as muitas razões morais e práticas para proteção de criaturas com quem nós compartilhamos esta maravilha azul, adicionamos mais uma. Elas talvez possam ajudar o planeta terra a armazenar mais carbono.

Escrevendo para a revista científica Nature Ecology and Evolution, ecologistas liderados por Mar Sobral e José Fragoso da Universidade de Stanford descrevem um estudo de três anos sobre mamíferos e ciclos de carbono no Sudeste da Guiana. Uma pesquisa anterior sugeriu vínculos entre biodiversidade e armazenamento de carbono; Quanto mais espécies de plantas e animais existem em um determinado ecossistema, mais CO2 parece absorver. Como isso funciona exatamente, porém, ainda está sendo revelado.

A equipe de Sobral e Fragoso queria aprender mais sobre os papéis desempenhados pelos mamíferos. E assim, ao longo de três anos e 18.500 km quadrados, eles realizaram mais de 10.000 pesquisas, contando cerca de 218.000 mamíferos individuais pertencentes a 28 espécies. Eles analisaram mais de 43.000 eventos de alimentação e identificaram mais de 1 milhão de restos de alimentos depositados no solo. Enquanto que no campo, eles mediram igualmente as concentrações do carbono do solo e o tamanho de árvores em centenas de locais. Dos cálculos numéricos surgiu um padrão: mais espécies de mamíferos significou mais carbono nos solos ou nos corpos das árvores.

Este padrão reflete um vasto, incessante, pouco apreciado trabalho animal-“movendo matéria vegetal em toda a paisagem e processando-a de formas que a tornam disponível para uma maior diversidade de invertebrados, fungos e micróbios”, escrevem os pesquisadores. Comendo, digerindo, defecando. Espalhando nutrientes e, crucialmente, as sementes das árvores que eventualmente respiram CO2 atmosférico e o retém em celulose. Eventualmente morrendo e se decompondo, nutrindo ainda mais crescimento. Cada ação de pequena importância, mas assim como as gotas da chuva, somadas.

Os pesquisadores não calcularam exatamente quanto carbono extra uma floresta rica em mamíferos pode armazenar, mas Sobral forneceu uma estimativa aproximada: uma floresta com 30 espécies de mamíferos deveria reter 10.000 Kg extras por hectare na biomassa de árvores individuais que estão acima da superfície. Expandido para toda a Amazônia, que se traduz em cerca de 5.5 bilhões de toneladas de carbono, aproximadamente equivalente às emissões dos Estados Unidos em 2015 — e que nem sequer leva em consideração o carbono ligado ao solo, o que levaria a um total muito maior. Esta é uma estimativa de cálculo, mas aponta o potencial.

Ainda há muito a ser aprendido, dizem os pesquisadores. As relações não são simples. Isto envolve muitas escalas e processos, e “não pode ser facilmente desconstruído em relações individuais função-serviço.” No entanto, algumas implicações já são claras: a defaunação impulsionada pelo homem é um problema potencialmente climático e a conservação uma solução climática.

Próximo a estradas e comunidades, onde o habitat foi fragmentado, onde houve maiores interferências e a caça foi mais intensa, árvores ficaram menores e solos armazenaram menos carbono. “A diversidade de mamíferos deveria de fato ser considerada em políticas de gestão, objetivando maximizar a armazenagem de carbono,” diz Sobral. E enquanto o estudo se concentrou especificamente nos mamíferos e na Guiana, ela acredita que as descobertas servem para outras criaturas — répteis, anfíbios, pássaros, invertebrados — em outros tipos de floresta, embora isso precise ser testado. “Acredito que a riqueza de qualquer grupo animal afetaria os ciclos biogeoquímicos”, ela diz.

Source: Sobral et al., “Mammal diversity influences the carbon cycle through trophic interactions in the Amazon.” Nature Ecology & Evolution, 2017.

Image: Marissa Strniste / Flickr

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