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O etanol de cana-de-açúcar brasileiro pode lidar com as emissões de carbono sem destruir florestas sensíveis?

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O etanol feito a partir da cana-de-açúcar do Brasil pode ser uma solução de curto prazo para o corte de emissões de dióxido de carbono em transportes, sugere um novo estudo publicado pela revista científica Nature Climate Change. Ou seja, se o país intensificar a produção de cana-de-açúcar, e as partes lenhosas das plantas com adição do seu açúcar serão convertidos em etanol.

A expansão da produção de cana-de-açúcar brasileira para fazer etanol poderia substituir 13,7 % do uso de petróleo bruto até 2045, reduzindo as emissões globais de dióxido de carbono em 5,6%, o estudo mostra.

Isso exigiria a conversão de 1.12 milhões de quilômetros quadrados — mais do que a área do Texas e da Califórnia — em plantações de cana-de-açúcar. Mas tudo isso deveria ser possível ao proteger florestas para conservação e ao reservar terras para produzir alimentos e ração animal, de acordo com pesquisadores da Universidade de Illinois Urbana e da Universidade de São Paulo que conduziram a análise.

O Brasil já é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar. Cerca de metade de sua cana-de-açúcar é destinada à produção de bioetanol. Atualmente, dois terços dos carros no Brasil são veículos de combustível duplo (Flex), funcionando com etanol puro ou mistura de gasolina e etanol. O país planeja impulsionar seu próprio uso de bioetanol para cumprir seus objetivos em relação ao acordo climático de Paris. Ele também quer se tornar um exportador de etanol. Este estudo mostra que o país tem a terra e o potencial para produzir bioetanol com sucesso.

Até agora, os pesquisadores têm comumente usado modelos estatísticos para prever a produtividade da cana-de-açúcar no Brasil. Mas no novo estudo, a equipe internacional de pesquisadores usou um modelo mais abrangente que simula o crescimento da planta a cada hora usando propriedades do solo e registros meteorológicos. Isto leva em consideração como mudanças na água, dióxido de carbono e temperatura afetam a produção de cana-de-açúcar.

A equipe analisou três cenários de política ambiental que aumentariam a pegada de cana-de-açúcar no Brasil entre 37,5 milhões e 116 milhões de hectares. Todos os três cenários excluem áreas ambientalmente sensíveis, como a Amazônia e o Pantanal. Eles incluem a chamada segunda geração de etanol, que é feito a partir das partes de celulose lenhosa da planta, em oposição ao açúcar. Raízen Energia, uma joint venture criada entre o maior produtor de açúcar Cosan e a maior empresa petrolífera Royal Dutch Shell, está liderando a produção de etanol celulósico no Brasil.

O etanol brasileiro poderia fornecer o equivalente a 3,6-12,7 milhões de barris de petróleo bruto por dia até 2045, os cálculos mostraram. Isso poderia reduzir entre 1,5-5.6% as emissões globais de dióxido de carbono em 2014.

O aumento da produção de etanol exigirá um uso mais eficiente de pastagem, produção efetiva de etanol celulósico e políticas nacionais positivas e contínuas, afirmam os pesquisadores. “Dos combustíveis líquidos renováveis produzidos em escala, o etanol de cana-de-açúcar do Brasil é, sem dúvida, o mais sustentável, além disso proporciona o maior deslocamento das emissões de carbono de combustível fóssil.”

Source: Deepak Jaiswal et al. Brazilian sugarcane ethanol as an expandable green alternative to crude oil use. Nature Climate Change. 2017.

Photo:. Shell/Flickr Creative Commons

 

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