Escolha uma Página

Quem possui uma maior pegada ecológica: Médicos, economistas, ou ambientalistas?

This post is also available in: English

Os conservacionistas possuem uma menor pegada de carbono comparado a economistas e profissionais da área biomédica. Mas as diferenças são surpreendentemente modestas, pesquisadores da Universidade de Cambridge e da Universidade de Vermont reportam na revista científica Biological Conservation. Os resultados sugerem que a melhor maneira de levar as pessoas a adotar comportamentos ecologicamente corretos não é meramente educação — ou mesmo recriminação — mas sim proporcionar uma facilitação para que as pessoas possam fazer da maneira certa.

Quando os conservacionistas não conseguem realizar ações pró-ambientais, isso pode levar a acusações de hipocrisia e minar a credibilidade do movimento de conservação – como o caso do furor sobre a fatura de energia doméstica de Al Gore.

Os pesquisadores foram indicados para ver se os conservacionistas que adotam o discurso de ” salve o planeta” adotam esta postura em sua vida quotidiana, e para testar o relacionamento entre conhecimento ambiental e ação ambiental.

Para fazer isso, eles enviaram um questionário para membros de organizações de conservação, econômicas e biomédicas. O questionário solicitou aos entrevistados que avaliassem a importância que atribuem ao ambiente em comparação a outras questões de política pública; questionaram seus conhecimentos sobre questões ambientais e pegadas de carbono; e sondaram 10 diferentes comportamentos ambientais, como deslocamento para o trabalho, viagens aéreas e reciclagem.

Um total de 300 conservacionistas, 207 economistas e 227 pessoas na área biomédica responderam a pesquisa. No geral, o impacto ambiental dos conservacionistas é 16% menor do que o dos economistas e 7% menor do que o dos trabalhadores biomédicos, dizem os pesquisadores.

Os conservacionistas pegaram menos voos pessoais, tomaram mais ações para reduzir o uso da energia doméstica, reciclaram mais, e comeram menos carne do que economistas ou trabalhadores biomédicos. Ainda assim, em média os conservacionistas pegaram nove voos por ano, comeram carne ou peixe cinco vezes por semana, e raramente compraram compensações de emissões de carbono. Eles também possuíam mais gatos e cães do que os outros grupos.

“Eu não acho que os conservacionistas são hipócritas, eu acho que eles são humanos – o que significa que algumas decisões são racionais, e outras, racionalizamos”, diz o estudo do co-autor Brendan Fisher da Universidade de Vermont.

A análise mostrou que fatores socioeconômicos e demográficos como a idade, o nível de educação e a nacionalidade preveem o tamanho da pegada ambiental de uma pessoa. Mas os investigadores encontraram pouca conexão entre um maior conhecimento sobre o meio ambiente e um comprometimento com comportamentos mais ecológicos.

Eles também encontraram associações bastante fracas entre diferentes comportamentos pró-ambientais. Isto sugere que, contrariamente ao que muitas pessoas tinham esperado, ações ambientais relativamente fáceis como reciclagem não tendem a ter um efeito de “porta de entrada” promovendo mudanças em outros comportamentos.

Por outro lado, os valores importam. Em todas as três profissões, as pessoas que dizem que se preocupam muito com o ambiente também tendem a ter uma menor pegada de carbono. Economistas que valorizam o meio ambiente têm comportamentos ambientais semelhantes aos dos conservacionistas.

Os resultados sugerem que os conservacionistas poderiam fazer muito mais para diminuir suas próprias pegadas de carbono. Mas a melhor maneira de fazer isso pode ser a de defender escolhas ambientalmente amigáveis mais atrativas e mais fáceis de adotar de maneira geral.

“Mudanças estruturais são fundamentais. Por exemplo, proporcionando um transporte público mais acessível, ou removendo subsídios para a produção de carne bovina e de cordeiro. Basta olhar para o efeito de programas melhorados de coleta para utilização de reciclagem “, diz o autor Andrew Balmford, professor de ciência da conservação na Universidade de Cambridge.

“A ideia do ‘empurrãozinho’ – encorajando escolhas particulares através de mudanças em como cafés são estabelecidos ou passagens de avião são vendidas, por exemplo – podem ter potencial inexplorado para nos ajudar a diminuir nossa pegada.” Balmford diz. E isso serve tanto para os conservacionistas, como pessoas em outras profissões.

Source: Balmford A et al. “The environmental footprints of conservationists, economists and medics compared.” Biological Conservation2017

Guaranteed to start a conversation

You have Successfully Subscribed!

Share This