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A agricultura orgânica pode alimentar o mundo — de forma sustentável?

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Se expandíssemos a agricultura orgânica em todo o mundo, poderíamos reduzir o uso de pesticidas e fertilizantes, reduzir as emissões de gases de efeito de estufa e alimentar o mundo, diz um novo estudo publicado pela Nature Communications. Mas isto vem com condições: para compensar maiores requisitos de terra para a agricultura orgânica, teríamos que conciliar, em escala mundial, com a redução do desperdício alimentar e vegetarianismo crescente.

Somente com esta abordagem em três frentes, a agricultura orgânica será um método sustentável para alimentar 9 bilhões de pessoas até 2050, o estudo diz.

A agricultura orgânica tem sido contestada há muito tempo como uma solução para os males ambientais da agricultura. Embora defina métodos sustentáveis de agricultura– como a exclusão de pesticidas e fertilizantes sintéticos– também requer consideravelmente mais terra do que a agricultura convencional. Assim, os pesquisadores quiseram explorar os cenários nos quais a agricultura orgânica poderia atender a demanda alimentar global, com um impacto reduzido.

Primeiramente, eles fizeram um modelo sobre como a conversão de terras agrícolas regulares para a agricultura orgânica impactaria uma série de indicadores de produção ambiental e alimentar. Então, eles separadamente levaram em conta duas mudanças mais hipotéticas para o sistema alimentar global: diminuição do desperdício de alimentos, e diminuição da produção de culturas alimentares–como soja e milho. (O último reduziria a quantidade de terra exigida para alimentação animal, diminuiria os números da pecuária e consequentemente levaria à uma dieta global com menos carne.)

Em primeiro lugar, o uso da terra aumentaria entre 16 e 33% até 2050 simplesmente fazendo a mudança para agricultura orgânica em 100%. O desmatamento iria aumentar em até 15% em 2050, como resultado da expansão de terras para cultivo, com o aumento associado das emissões de gases com efeito de estufa. Esse cenário invoca alguns dos piores medos sobre a agricultura orgânica.

No entanto, se foi associado à uma diminuição nos níveis de desperdício de alimentos e redução na produção de alimentos para animais, a perda catastrófica de terra da agricultura orgânica poderia ser compensada com uma maior eficiência na produção de alimentos. “Por exemplo, um sistema alimentar com uma combinação de 60% de produção orgânica, 50% menos de produção de alimentação animal que compete com a produção de alimentação para humanos e 50% de redução no desperdício de alimentos, necessitaria de uma quantidade pequena de terra adicional”, os pesquisadores explicam.

Uma conversão completa de 100% para a agricultura orgânica também reduziria a demanda por energia não renovável em até 27% – economia feita principalmente por reduzir a produção de fertilizantes sintéticos. Isso ajudaria a compensar as emissões de gases de efeito estufa resultantes do uso da terra. E logicamente, em geral haveria uma diminuição do uso de pesticidas, e um escoamento reduzido de nitrogênio dos fertilizantes.

Os críticos do estudo no entanto, expressaram cautela sobre suas descobertas hipotéticas: como é frequentemente o caso com modelos, é difícil estimar dados para cenários diversificados, do mundo real. Isso é especialmente notável neste caso, onde a viabilidade da agricultura orgânica está interligada com a enorme tarefa de reduzir substancialmente a ingestão mundial de carne.

Mas os pesquisadores sublinham a principal lição do estudo: se tomarmos uma visão mais holística dos nossos sistemas alimentares–tendo em conta elementos como o desperdício de alimentos e consumo de carne–a agricultura orgânica poderia ganhar o impulso que precisa para alimentar o mundo, sem engolir grandes extensões de terra. À medida que os autores concluem, a futura produção alimentar deveria “assumir esses desafios na parte do consumo, e não apenas focar na produção sustentável.”

Source: Muller et. Al. “Strategies for feeding the world more sustainably with organic agriculture.” Nature Communications. 2017.

Image: via Pixabay

 

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