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Para compreender o verdadeiro impacto da pecuária, precisamos ser mais pessoais com as vacas

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Temos que repensar a forma como quantificamos as emissões pecuárias: Diz um grupo de pesquisadores que são pioneiros em um novo método que levam em consideração vacas de maneira individual. Seu método revela que o impacto ambiental do gado alimentado com pastagem é atualmente maior que modelos anteriores, sugere. Poderia também ajudar os agricultores a identificar as vacas “mais verdes” — animais que produzem menos na forma de emissões à medida que crescem.

Escrevendo para o Journal of Cleaner Production, os pesquisadores descreveram sua nova fórmula, onde avaliam a pegada de carbono de animais de forma individual na fazenda. Geralmente, a pegada de carbono do gado depende de uma análise do ciclo de vida que agrega emissões do gado com todas as outras emissões relacionadas à fazenda. Mas o problema com essa abordagem é que ele negligencia a grande variabilidade entre animais–alguns dos quais contribuem muito mais na forma de emissões que outros, devido a fatores como dieta, genética e idade. A falha em reconhecer essa diversidade pode levar a estimativas distorcidas, eles argumentam.

Eles basearam seu estudo em três pastos experimentais em Devon, Inglaterra, cada um com uma população de 30 vacas, um regime diferente de fertilizantes e pesticidas, e uma combinação diferente de plantas para o pasto das vacas. A cada poucas semanas, cada vaca no estudo foi pesada, e ao mesmo tempo os pesquisadores recolheram amostras de plantas do pasto para determinar o conteúdo nutricional da sua alimentação. Em paralelo, as informações de peso e nutrientes foram usadas para estimar as emissões de metano de cada animal, com base em diretrizes pecuárias existentes. Como parte deste processo, os pesquisadores também levaram em consideração na pegada de carbono das vacas qualquer emissão associada à aplicação de fertilizantes e pesticidas em cada pasto.

Com base nisso, eles descobriram que as vacas que pastavam no pasto, onde menos fertilizante foi aplicado tinha uma menor intensidade de emissões médias. Isso aponta para o enorme impacto dos fertilizantes na formação da pegada de carbono na pecuária. Mas, independentemente de como o pasto foi gerido, houve também diferenças notáveis entre vacas de forma individual através dos locais de estudo – com alguns animais que têm o dobro do impacto das emissões de seus companheiros de pastagem.

Entre outros possíveis fatores influenciadores, os pesquisadores abordaram um em particular: sexo. Eles descobriram que o gado masculino tendia a produzir menos emissões por kg de crescimento do que vacas fêmeas. Criar mais gado masculino do que feminino pode permitir a produção mais sustentável de carne, sugerem os pesquisadores com cautela.

Levando em consideração essas variáveis nas emissões, os pesquisadores mostraram que o gado alimentado em pasto emite até 10% mais que as estimativas anteriores sugerem, estes defendem a ideia de modelos de emissões que levam em consideração animais individualmente. Há um benefício adicional para esta descoberta: Ser capaz de identificar vacas menos impactantes e criá-las em fazendas também poderia reduzir o impacto negativo da pecuária no clima, em geral. “A mitigação de emissões de gases de efeito de estufa provenientes de ruminantes poderia ser mais fácil que o pensamento tradicional–se fôssemos capazes de selecionar os animais certos através de métodos corretos de triagem,” diz o autor do estudo Taro Takahashi.

O consumo de carne é projetado para aumentar de acordo com uma crescente população mundial–e com isto o espectro de emissões. Os pesquisadores, portanto, chamam de “seleção de animais baseada em evidências” na agricultura, como parte de um crescente conjunto de medidas para reduzir o impacto da produção de gado no planeta.

Source: McAuliffe et. Al. “Distributions of emissions intensity for individual beef cattle reared on pasture-based production systems.” Journal of Cleaner Production. 2017.

Image: via Pixabay

 

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