Recomendações alimentares para um planeta em aquecimento

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Ter uma dieta equilibrada não é somente benéfico para nossa saúde, mas também é uma maneira infalível de salvar o meio ambiente, de acordo com pesquisa recente. Ao examinar as diretrizes nacionais alimentares de diversos países, um estudo PNAS demonstrou que, se as medidas alimentares recomendadas fossem amplamente adotadas em nações de alto rendimento _ estas poderiam reduzir significativamente os impactos ambientais globais.

De fato, ao não reconhecer este co-benefício, podemos estar perdendo uma oportunidade crucial em unir questões de saúde com proteção ambiental, dizem os pesquisadores.

As diretrizes alimentares nacionalmente recomendadas (NRDs) são usadas em todo o mundo para definir metas de consumo para os cidadãos, com base em preocupações nutricionais regionais. Convenientemente, elas também proporcionam uma maneira de prever mudanças em tendências alimentares: isto está se tornando cada vez mais importante do ponto de vista ambiental, especialmente porque alguns países estão começando a aumentar o consumo de carne e laticínios. E ainda, como os pesquisadores da Universidade de Leiden apontam, apenas quatro dos países testados em seu estudo fizeram alguma menção sobre sustentabilidade ambiental em suas NRDs.

Para tentar unir esta lacuna de dados, os pesquisadores reuniram informações sobre recomendações alimentares de 37 países, cobrindo 64% da população global. Eles também fizeram comparações com dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), que mostraram as dietas reais e médias de pessoas vivendo em cada nação.

Para cada conjunto de dados, eles quiseram analisar o impacto das respectivas dietas em três fatores centrais: as emissões de gases de efeito estufa, uso da terra e eutroficação do solo e massas de água– também conhecida como sobrecarga de nutrientes, que é geralmente desencadeada pela aplicação excessiva de fertilizantes em fazendas. Para fazer isso, eles usaram Exiobase, um enorme repositório de dados que revela os custos ambientais detalhados de cultura ou produção, processamento e transporte de colheitas e pecuária.

Com todos os dados agrupados, a pesquisa revelou sem surpresa, que os países de maior renda estão associados a maiores impactos ambientais. Isso se deve ao fato de que esses países tendem, em média, a consumir mais carne e laticínios, que possuem maiores emissões e usam mais terra do que alimentos à base de plantas. Mas, os pesquisadores descobriram que se os países de alta renda- como o Reino Unido, Estados Unidos e Alemanha-adotassem as recomendações alimentares que são propostas por seus governos, eles poderiam também fazer as maiores economias ambientais para o planeta, em geral.

Neste cenário, as emissões de gases de efeito estufa declinariam globalmente entre 13 e 24,8%, o uso da terra diminuiria em 17,6%, e a eutroficação declinaria em até 21,3%. A maior parte disso é atribuída a um maior enfoque vegetariano das diretrizes alimentares nos países de alta renda: aqui, é incentivado um maior consumo de frutas, vegetais e nozes, para compensar os impactos sanitários do consumo de carne tradicionalmente mais elevado nestas regiões.

Por outro lado, em algumas nações de baixa renda como a Índia, as diretrizes alimentares promovem o aumento do consumo de carne e laticínios como forma de melhorar os problemas de subnutrição prevalecentes. Mas essas mudanças alimentares sugeridas, naturalmente iriam aumentar as emissões de gases de efeito estufa e o uso da terra.

No entanto, os pesquisadores sugerem que há uma oportunidade lá, se esses países começarem a tecer preocupações ambientais nas diretrizes–talvez substituindo a ingestão de carne recomendada por alimentos vegetarianos altamente proteicos, como legumes e nozes.

Ao destacar o potencial latente das recomendações alimentares, os pesquisadores mostram como elas poderiam ser usadas como uma ferramenta para melhorar a sustentabilidade. Em uma escala global, as diretrizes alimentares não serão capazes de conseguir uma redução mundial do desperdício alimentar, eles advertem. Mas elas podem moldar a política alimentar e incentivar as escolhas ecológicas dos consumidores, preparando países para um futuro mais sustentável.

Diz o autor do estudo Paul Behrens, ” As recomendações alimentares podem ser uma grande maneira de falar sobre a saúde humana e a saúde do meio ambiente. O ponto principal é que você pode ganhar nos dois sentidos.

Source: Behrens et. Al. “Evaluating the environmental impacts of dietary recommendations.Proceedings of the National Academy of Sciences. 2017.

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