Alugando campos de arroz para criar substitutos para zonas úmidas perdidas

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Durante milhares de anos, as planícies do interior da Califórnia eram uma vasta cadeia de zonas úmidas, onde as aves limícolas migratórias pousavam a cada primavera e outono, sustentando suas extraordinárias jornadas inter-hemisféricas. Uma resolução mudou tudo isso: entre o final do século 18 e o final do século 20, as pessoas drenaram mais de 90% dessas zonas úmidas. O Vale Central está agora entre as áreas agrícolas mais produtivas — mas para as aves limícolas, suas populações em declínio acentuado, é praticamente um deserto.

Pode ser possível, porém, que aves llimícolas e fazendeiros coexistam. Escrevendo para o periódico Ecological Applications, pesquisadores dirigidos pelo ecologista Greg Golet do Nature Conservancy descrevem um programa inovador que paga para que os agricultores de arroz do Vale Central gerenciem seus campos como zonas úmidas temporárias durante a migração. “Espécies migratórias enfrentam muitos desafios devido a mudanças climáticas, conversão de locais históricos de paradas, e outros fatores”, escrevem, “mas programas de conservação dinâmicos prometem que, pelo menos em algumas instâncias, suas necessidades ainda possam ser atendidas.”

Chamado BirdReturns, não é o primeiro esquema de pagamento por natureza — talvez o mais conhecido seja o Programa Conservation Reserve, no qual reembolsa agricultores americanos por remover terra da produção — mas adiciona a sofisticação do século 21: os dados recolhidos pelos observadores de pássaros ajudam a identificar precisamente aonde os pássaros migratórios mais precisam de um habitat, no qual o Nature Conservancy aluga de agricultores de arroz que deixam seus campos inundados quando normalmente seriam drenados.

O estudo de Golet , baseado em monitoramento de satélite de 830 milhas quadradas dos campos do Vale Central em 2014 e 2015, descreve os resultados. “Os campos de tratamento apresentaram significativamente maior densidade, riqueza e diversidade de aves limícolas do que campos de controle tanto na primavera quanto no outono”, escrevem os pesquisadores. Estes campos “renderam as maiores densidades de aves limícolas médias já reportadas para agricultura na região.” No deserto, um oásis.

Apesar da sua popularidade entre aves limícoras, entretanto, os campos de arroz temporariamente inundados podem parecer um substituto fraco para zonas úmidas permanentemente protegidas. No entanto, Golet apontou para a pesquisa sobre a diversidade de campos inundados, que são ricos em invertebrados e sobras de grãos. “Embora eu não sugira que eles sejam iguais às zonas úmidas naturais , ” ele diz, ” não é difícil dizer que eles servem de substituto valioso”.

Com habitat em falta e as secas tornando-se mais comuns, a equipe de Golet diz que esses substitutos se tornarão cada vez mais importantes. Também é mais barato alugar os campos:
outro relatório da Nature Conservancy estima o custo como uma fração pequena comparado à sua compra. ” Fazer investimentos de curto prazo pode, em alguns casos, ser mais viável e eficaz,” diz Golet. Ele observa que existem apenas 75.000 acres de áreas úmidas administradas no Vale Central, mas mais de 500.000 acres de produção de arroz. “No arroz, há muito espaço para melhorar” diz Golet, “e a magnitude da mudança é realmente enorme.”

Source: Golet et al. “Using ricelands to provide temporary shorebird habitat during migration.Ecological Applications, 2017.

Image: Geese flying off a rice field in Sacramento Valley, California.

Sobre o autor: Brandon Keim Brandon Keim é um jornalista freelance especializado em ciência, animais e natureza e autor de The Eye of the Sandpiper: Stories From the Living World. Conecte-se com ele pelo Twitter, Instagram and Facebook.

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